Começo hoje a contar nessa página um pouco da minha história com a música. Elas não terão ordem cronológica. Sendo assim, inauguro a postagem falando do cantor Renato Braz. Foi em uma apresentação do Renato, na Casa da Cultura em Poços de Caldas em que no momento do autógrafo ele me disse a frase que, desde então me acompanha e orienta, e hoje batiza esse blog.
Meu primeiro contato com a obra do Renato foi nas minhas "fuçanças" pela internet nos idos de 1998, quando ele lançava seu 2º CD "História Antiga". A resenha forçava a questão da semelhança vocal com Milton Nascimento, e eu mineiro, bairrista (kkk) e na incredibilidade de achar alguém que cantasse parecido com Milton, comprei o CD. Qual a surpresa? Uma versão arrebatadora de "O Amor" versão de Caetano e Ney Costa Santos para uma poema de Maiakovski. Depois disso devorei esse CD que ainda tinha Chico, Edu Lobo, Jobim e uma versão linda de "O que me importa". O próximo passo era correr atrás do 1º CD, que foi definitivo pra que eu tivesse a certeza que eu estava ouvindo o que se tornaria um dos maiores cantores do Brasil.
O Renato Braz que tinha lançado seu 1º Cd em 1996 e que por conta da valorização da boa música feita no Brasil e do empenho da mídia em divulgá-la tinha passado despercebido e só 2 anos depois eu pude ouvir uma das músicas que marcaram minha vida. "Anabela" de Mário Gil era uma das coisas mais impressionantes que eu tinha escutado. Eu não conseguia parar de ouvir! Essa música tornou-se cartão de visita para a obra do Renato e eu fã nº1.
Bom, como toda notícia boa vem acompanhada de uma ruim .... Depois de conhecer e me apaixonar pelos 2 CDs do Renato em 1 mês tive que esperar 4 Anos pra ouvir o próximo (kkk) ... mas valeu a pena. "Outro Quilombo" em 2002 tinha "Na ribeira desse rio" poema de Fernando Pessoa musicado pelo Dori Caymmi e "Acqua Márcia" da Marina Colasanti musicada pelo Ivan Lins, além de Mário Gil, Chico César, Caetano e outros. Mas a música que arrebatou minha alma (dramático , né?) foi "Cruzeiro do Sul" dos irmãos Jean e Paulo Garfunkel. O ritual era ouvir e chorar, ouvir e chorar (kkkk) e isso durou uns 3 meses.
Depois da notícia boa vem??? outra notícia boa. Depois de tanta espera, 2 Cds lançados no mesmo ano. Graças à premiação merecida e consagradora do Renato como melhor cantor no Prêmio Visa edição 2002 . O prêmio incluia a gravação de um cd e foi lançado então "Quixote" que era pra mostrar a cara e a voz pro Brasil. Versões definitivas de "Desenredo", "A saudade mata a gente", "Disparada", "Tristeza do Jeca" e a inédita "Canção pra ninar um neguim" do Zeca Baleiro.
Em 2006, pela Biscoito Fino, Renato fez "Por toda a vida" todo dedicado as canções de Jean e Paulo Garfunkel. Com execessão de "Calcanhar de Aquiles" já gravada por Elis, o repertório era todo um achado de grandes canções da dupla e lindamente registradas pelo Renato. O destaque pra mim é "Av. São João" e "Menino Quieto".
Mais 4 longos anos de espera e escrevo agora ouvindo o que pra mim era um sonho. "Papo de Passarim" é daqueles Cds antológicos, trabalho pra ser agradecer ao invés de elogiar. No começo do post escrevi que Renato Braz é um dos maiores cantores e se não é o maior é porque temos Zé Renato, que por benção divina se conheceram, reuniram afinidades e nos brindaram com essa maravilha. Tem repertório do Zé (Ponto de Encontro, A hora e a vez, Anima), do Renato (A saudade mata a gente, Desenredo) e claro, as surpresas: Da dupla Wilson das Neves e Paulo César Pinheiro "O dia em que o morro descer e não for carnaval" e "Um novo amor chegou", "Capoeira de Arnaldo" do Vanzolini e a linda "Rio Amazonas" do Dori Caymmi e Paulo César Pinheiro. Clássico!!!!
Bom... pra manter a teoria que depois de um tempo na espera, as boas notícias são duplas, aguardo ansiosamente pelo novo trabalho solo do Renato, que segundo notícias na comunidade do Orkut já está sendo gravado e com lançamento previsto pra novembro. E esperar na ansiedade de escutar as surpresas de Renato Braz.
Eu acho que se Elis Regina estivesse viva talvez hoje disesse que se Deus cantasse, cantaria com a voz de Milton sim, mas levava o Renato Braz pro backing.
